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3 de jun. de 2012

NAMASTÊ "A palavra mágica do Yoga"




Todos conhecemos bem a palavra sânscrita namaste. Até os não praticantes de Yoga da minha família adotaram o namaste como uma saudação cotidiana, por força de nos ouvir usando esse termo tão lindo, e a gente se diverte com isso. Esta saudação se estendeu atualmente a muitos ambientes alheios ao Yoga e à espiritualidade e até entrou para os dicionários ingleses, por influência dos emigrantes indianos para o Reino Unido. De namaste deriva ainda a palavra persa namaz ou namasés, que é o nome da prece/prostração que os muçulmanos fazem cinco vezes por dia.


Namaste vem de namah, que significa “entrega”, “reverência”. O Yoga explica que toda a criação é namarupa, uma infindável miríade de formas e nomes, que são todos nomes e formas do único Ser, Brahman. Namaste aponta então para o Ser, manifestado e presente sob todos os nomes e todas as formas, animadas e inanimadas. Sendo estes nomes e formas diferentes aspectos da manifestação de Brahman, o Ser, todas as formas de vida, bem como todas as formas inanimadas, são sagradas e dignas de respeito.


É por isso que o hinduísmo reverencia todas as criaturas e formas de vida, e é por isso que o princípio da não-violência, ahimsa, é tão importante para todos nós, praticantes e não praticantes de Yoga. Nós conhecemos esse respeito pela vida através da imagem de Kamadhenu, a vaca sagrada, que simboliza a generosidade sem limites de toda mãe, e representa a sacralidade da própria existência.


Assim como no Ocidente existe um significado lindo e profundo por trás da palavra “adeus”, namaste também tem uma historinha por trás das suas sete letras. Aliás, “adeus” é a contração de uma antiga fórmula de saudação que, completa, era “entrego-te a Deus”. Noutras palavras, “a Deus encomendo tua alma já que, a partir de agora, não estarei contigo para te cuidar”. De adeus, o dicionário Houaiss diz: “Fórmula de despedida com que se pede a proteção de Deus para quem fica ou parte e que significa Deus fique contigo, Deus vá contigo”.


Similarmente, namaste ou namaskar são usadas como saudação, tanto no encontro como na despedida entre as pessoas. Literalmente, significa “a você, meu namaskar”, minha reverência, meu reconhecimento da presença do Ser em você. Esta palavra é a primeira num mantra védico para Shiva, chamado Sri Rudram, que aparece no Rig Veda, o livro mais antigo da Humanidade, que trata extensamente da vida de Yoga. A estrofe inicial deste hino é assim:


Namaste astu Bhavagan, Vishveshvaraya Mahadevaya Tryambakaya
Tripurantakaya Trikalagnikalaya Kalagnirudraya Nilakanthaya Mrityuñjayaya
Sarveshvaraya Sadashivaya Shrimanmahadevaya Namah.
A tradução do mantra é a seguinte: “Minha saudação a ti, Senhor, Mestre do Universo, Grande Senhor, dotado de três olhos, Destruidor de Tripura, Destruidor do fogo Trikala e do fogo da morte, Aquele de Garganta Azul, o Vitorioso sobre a Morte, o Senhor de Tudo, o Sempre-Auspicioso, o Glorioso Senhor de todas as Deidades”.


Shiva é, no hinduísmo, a forma divina que dissolve a criação no fim dos ciclos cósmicos. O nome significa “auspicioso”. Shiva representa assim, transformação, mudança, renovação, aceitação e gratidão. Como toda mudança é para o bem, ou acontece para o bem, Shiva aponta para o poder dessa transformação, bem como para a gratidão decorrente dela.


Isto nos mostra que, mesmo quando não compreendemos, ou temos dificuldade em aceitar as contingências boas e menos boas que a vida nos coloca, o que cabe é cultivar o contentamento e a aceitação pacífica dessas mudanças. O terceiro olho de Shiva representa a sabedoria, pela qual o adharma (erro de conduta), é eliminado e moksha é alcançado. Moksha é a libertação da roda dos condicionamentos, o samsara.

A saudação namaste é tradicionalmente acompanhada de um gesto chamado añjali mudra, com as palmas das mãos unidas frente ao coração, e uma ligeira inclinação da cabeça, em sinal de respeito. Nos templos hindus, as deidades são reverenciadas fazendo-se o gesto de namaskar, que é, para os homens, uma prostração completa de bruços e, para as mulheres, uma inclinação da cabeça até o chão, sentando sobre os calcanhares.


Desses dois gestos físicos de prostração, o masculino e o feminino nasceram, naturalmente, o surya e o chandra namaskar, a saudação ao Sol e à Lua, que são muito familiares para os praticantes de Hatha Yoga. À beira do rio Ganges, na Índia, é muito freqüente vermos pessoas fazendo namaste para as águas sagradas, com um gesto também familiar para os praticantes de Yoga, que consiste em elevar os braços até o céu e fazer uma flexão à frente.


Assim, na próxima vez que formos usar esta linda saudação, façamos isso conscientemente, lembrando que aquele que está na nossa frente não é, essencialmente, diferente de nós mesmos. Todos os nomes, todas as formas, todos os humanos, todas as criaturas vivas, são dignas do mesmo respeito, da mesma reverência.


Que possamos lembrar e celebrar esse significado nos encontros e despedidas com cada amigo, com cada companheiro de caminhada, com cada ser humano, mesmo se ao invés de namaste, dizermos “bom dia”. Namaste para você!
Por: Pedro Kupfer

9 de abr. de 2012

Aulas de Power Yoga






POWER YOGA


O Yoga que a Madonna pratica!



O Power Yoga é uma técnica que trabalha com movimentos mais vigorosos e de maneira mais fluida do que ocorre no Hatha Yoga tradicional. Nessa prática, acontece um grande aquecimento corporal, propiciando maior alongamento e também maior transpiração, que desintoxica o corpo.

História:
O Power Yoga surgiu há cerca de três décadas a partir da fusão das técnicas milenares do Hatha Yoga tradicional e do Ashtanga Yoga. Do Ashtanga Yoga provém o ritmo intenso da prática, contudo difere deste por não possuir uma série fixa de movimentos, mas por valer-se livremente das diversas posturas existentes no Hatha Yoga tradicional. Essa modalidade de Yoga expandiu-se nas últimas décadas por muitos países com bastante sucesso por ser uma prática agradável que aumenta eficientemente a força física, o alongamento e também o bem estar emocional. Artistas como Madonna e Sting são seus alguns de seus declarados adeptos.



Venha fazer uma aula experimental gratuita.


Aulas todas as quartas e sextas das 7h30min às 8h30min.



16 de jan. de 2012

Porque fazer Yoga?

15 de jan. de 2012

Os Valores do Yoga Por: Pedro Kupfer





Há muitos anos já vivo fascinado por uma lista de valores que Krishna ensina para Arjuna naquele diálogo essencial sobre Yoga que é aBhagavadgītā. Essa parte da instrução sobre como aplicar o Yoga na vida através das atitudes ocupa as estrofes sete a 11 do capítulo XIII desse importante texto. Cultivar valores no cotidiano é essencial para se ter uma vida tranquila e feliz.


Quando ouvimos a palavra valor, vêm a nossa mente algo relevante ou fundamental. Segundo o Dicionário de Filosofia de Gérard Legrand, um valor é uma “noção que traduz a passagem do desejo para o conjunto doutrinário e prático que constitui uma moral: toda moral está fundada (explicitamente ou não) num conjunto de valores que são também abstrações representando o que se em por desejável. Todo homem é portador de uma “escala de valores”, a maioria das vezes inconsciente, que comanda intuitivamente a sua ação na medida em que esta se prolonga para além da necessidade. Também é de notar que o desaparecimento de um valor (por exemplo, quando se descobre que está ultrapassado ou é prejudicial, como o patriotismo perante os riscos de um conflito mundial) supõe a procura (e geralmente a descoberta) de “valores novos”.”


Porém, para além da escala de valores subjetivos que cada um de nós possa ter, e para além daqueles que nascem e morrem, há uma série de valores que não muda nunca, que são atemporais. Aqueles valores pessoais, que vão mudando de acordo com o tempo ou a circunstância, podem ser chamados de moral. Os que não mudam, chamaremos aqui de ética. Em sânscrito,dharma.


Os valores que Kṛṣṇa ensina para o príncipe guerreiro à beira do campo de batalha, que aliás, serve de pano de fundo para o ensinamento daBhagavadgītā, são desse último tipo: perenes, no sentido que não envelhecem nem passam de moda (o não deveriam passar), e universais, no sentido de que valem para todas as pessoas e em todas as circunstâncias.


A palavra valor se diz jñana em sânscrito. O amigo leitor certamente já conhece a outra acepção desta palavra: jñana também significa conhecimento. Swāmi Dayānanda escreveu um livro notável, chamado O Valor dos Valores, que explica detalhadamente, estes vinte valores fundamentais cultivados pelo sábio. Deixo aqui um breve resumo desses valores, desde já pedindo desculpas pela brevidade das explanações, já que o assunto é profundo e extenso. Fica aqui a descrição dos primeiros dez valores.




1. Amanitvam, ausência de vaidade, ausência de arrogância ou de necessidade de elogio.


Amanitvam significa ausência de vaidade ou ausência da necessidade de ser elogiado. Muitas vezes, amanitvam é traduzido como humildade, mas é muito mais do que cultivar essa virtude. Poderíamos definir amanitvamcomo ausência de necessidade de reconhecimento por parte dos demais. Muitas vezes, identificados com os frutos das ações que fizemos, exigimos um grau de respeito e reconhecimento que nem sempre coincide com o tratamento que recebemos por parte dos demais. Quem conhece o valor e o mérito das suas próprias capacidades, não tem necessidade de ser elogiado pelos demais.






2. Adambhitvam, ausência de pretensão.


Adambhitvam é um estado de equilíbro emocional e mental no qual a pessoa se aceita como ela é e não busca mostrar algo que não é. Enquantomanitvam é uma expectativa baseada em conquistas ou habilidades reais,dambhitvam se apoia em méritos falsos ou imaginários. Quando faço de conta que sei coisas que ignoro, quando alego ter tido experiências que não tive, incho meu currículo com mentiras ou tento mostrar capacidades que não são minhas, faço isso pois acho que assim, irei impressionar os demais. O problema é que isso cria uma tensão insuportável dentro de mim. Deixar de posar ou fingir é uma virtude, no sentido que me livro dessa tensão e fico naturalmente mais tranquilo.






3. Ahimsa, não-violência.


A paz é o antídoto contra a violência e uma condição essencial para a vida feliz. Lutamos continuamente para conquistar objetivos mas esquecemos que se não tivermos paz para desfrutarmos daquilo que realizamos, não haverá felicidade possível. A violência é um dos mecanismos que nos mantêm afastados de nossa natureza, que é plenitude e felicidade. Ahimsaconsiste em cultivar a não-violência em palavras, pensamentos e atitudes. Esta prática é uma condição fundamental para que o de fato possamos viver a vida de Yoga. Sem uma prática sólida de não-violência não há crescimento emocional. Existem duas dimensões na prática da não-violência: a pessoal e a social. A primeira tem a ver com a maneira em que cada um se relaciona consigo próprio. A segunda tem a ver com a maneira em que vivemos a vida em sociedade, com nossa familia, nossos amigos, vizinhos ou colegas de trabalho. Essa segunda dimensão depende diretamente da primeira.






4. Kshanti, pacífica adaptabilidade.


A palavra kshanti designa uma atitude positiva que fica bem distante da resignação sófrega. Uma boa maneira de traduzir este termo seria “capacidade de se adaptar”. A esse respeito, diz Swāmi Dāyananda: “A atitude de kshanti significa que eu, alegremente, calmamente, aceito aquele comportamento e aquelas situações que não posso mudar. Desisto da expectativa ou exigência pela mudança de outra pessoa ou situação, de forma a se moldar ao que penso ser agradável para mim. Eu me acomodo às situações e às outras pessoas alegremente”.






5. Arjavam, retidão.


A palavra arjavam deriva da raíz rju, que significa flecha. Rjubhava é o sentimento de retidão, no qual existe alinhamento entre o pensamento e a palavra, ou entre a palavra e a ação. Retidão é uma das formas de satya, a veracidade. Consiste em fazer coincidir intenções, palavras e ações, bem como em ser fiel aos próprios valores. Quando essa retidão está ausente, penso uma coisa, digo outra e acabo fazendo outra diferente. Assim, a minha vida fica fragmentada, sem rumo nem prumo. Evitar este tipo de desconexão me torna uma pessoa tranquila e digna da confiança dos demais.






6. Acharyopasanam, dedicação ao professor.


No contexto cultural em que estes valores são transmitidos, o professor representa o próprio autoconhecimento. Na antiga cultura védica, o professor é chamado acharya ou guru. Acharyopasanam significa literalmente “meditação sobre o professor”. Através dessa prática contemplativa, que se estende a uma atitude reflexiva e atenta às coisas do mundo, o estudante se identifica com as virtudes daquele que lhe ensina. Enquanto professor de autoconhecimento, o acharya transcende os limites da sua individualidade, no sentido que, enquanto ensina, ele representa a própria tradição. Assim, servir o acharya se colocar a serviço do próprio conhecimento.






7. Shauchan, purificação.


Para a purificação também existem dois aspectos: o externo e o interno. O primeiro consiste em cultivar hábitos de higiene que vão bastante além da ideia de mente sã em corpo são daquele ditado latino. No Yoga, cultivamos a purificação do corpo físico observando não apenas os aspectos exteriores da higiene, mas igualmente a limpeza do interior do corpo, que é feita através do shatkarma. O shatkarma é parte integrante do Hatha Yoga e inclui lavagens periódicas dos tratos digestivo e intestinal, bem como a massagem das gengivas, a purificacao da garganta e as vias respiratórias, e outros. Esse processo se denomina bahyashauchan, ou limpeza exterior. No aspecto interno, referente ao psiquismo, shauchan consiste em cultivar, da mesma maneira, atitudes e pensamentos elevados, evitando que a mente derive para o derrotismo o que se centre excessivamente em pensamentos negativos. Isso é chamado antarashauchan, limpeza interior.






8. Sthairyam, firmeza de propósito.


Shairyam é um termo que significa estabilidade, firmeza. Se refere a ser capaz de manter o foco no momento presente e no estado de tranquilidade. A calma firmeza no objetivo que me proponho a realizar chama-sesthairyam. No contexto em que este valor é passado para Arjuna, Krishna usa este termo para se referir à capacidade de manter o foco no objetivo do Yoga, que é mokṣa, a liberdade e no processo que nos conduz a ela, o autoconhecimento. Dessa maneira, evitamos a dispersão e nossa vida ganha em significado e tranquilidade.






9. Ātma-vinigraha, comando sobre o pensamento.


A palavra Ātma se refere à autorreferência, ao lugar onde colocamos o foco. Neste contexto, ela indica a mente. Vinigraha, por sua vez, significa comando. Concretamente, atmavinigraha designa a possibilidade de manter um comando sobre o pensamento, de maneira a evitar que a mente vagueie, se distraia e tire o foco daquilo que estamos fazendo. É mais uma capacidade de se manter concentrado a cada momento, do que uma atitude repressiva ou uma obsessão em controlar aquilo que se pensa. Dessa maneira, ao adquirirmos a capacidade de escolher conscientemente aquilo que pensamos, nosso agir torna-se naturalmente consciente.






10. Indriyartheśu vairāgyam, desapego em relação aos objetos dos sentidos.


A palavra indriyartheshu se refere àquilo que está vinculado aos órgãos sensoriais, (indriyas). Vairagya significa desapego. A atitude do desapego consiste em olhar para objetos, pessoas e relacionamentos, reconhecendo objetivamente os seus valores e evitando projetar neles algo que não lhes seja intrínseco. Desapegar-se não é fugir de pessoas ou objetos mas relacionar corretamente com eles, reconhecendo a mim mesmo como plenitude e deixando de olhar para eles como a solução para minhas carências.Indriyartheśu vairāgyam também é ser livre do sofrimento associado às vontades, caprichos ou aversões do ego.






11. Anahaṅkāra, ausência de identificação com as coisas do ego.


Ahaṅkāra significa “eu-fazedor” em sânscrito, e é a palavra usada no Yoga para se referir ao ego. O ego é uma espécie de interface que nos ajuda a viver estabelecendo referências entre as coisas exteriores e a nossa individualidade. Basicamente, ele é uma lista de gostos e aversões através da qual nos relacionamos com os demais e com o mundo que nos rodeia. Anahaṅkāra é a capacidade de perceber o ego como ele é, sem achar que começamos e/ou terminamos nele. Noutras palavras, poderíamos definir anahaṅkāra como “não-egoísmo”. Cultivar esse valor nos permite viver tranquilamente, já que passamos a olhar para nós mesmos, não como uma lista de desejos que precisam ser preenchidos ou coisas que devem ser evitadas, mas como a paz que observa esses desejos e aversões.






12. Janma-mṛtyu-jara-vyādhi-duḥkha-dośa-anudarśanam, reflexão sobre as limitações do nascimento, a morte, a velhice, a doença e a dor.


Esta longuíssima palavra é um composto que denota uma atitude absolutamente objetiva em relação à vida. O primeiro termo deste composto é janma, nascimento. O segundo, mṛtyu, morte. As outras palavras intermediárias definem tudo aquilo com que nos deparamos entre o nascimento e a morte: velhice, doença, sofrimento e limitação (respectivamente, jara, vyādhi, duḥkha e dośa). A última parte do composto,anudarśanam, significa “ver repetidas vezes”. Portanto, o termo se refere ao fato de que, se não fizermos algo para sair desse circuito, ficaremos ad eternum indo de nascimento a morte, de morte a nascimento, de nascimento a morte... Se o que há no meio fosse somente prazeroso, poderíamos até achar que não precisariamos fazer nada para mudar. Porém, sabemos o que nos espera entre o início e o fim de cada vida: doença, sofrimento (físico, emocional e/ou mental), limitação e velhice que, por sua vez, nos levam para mais uma morte. O objetivo de cultivar esse valor não é negativo. Pelo contrário, ele existe para nos ajudar a ver e aceitar a vida como ela é, com a maior equanimidade. Se fizermos isso, evitaremos a armadilha de achar que a vida é injusta ou cruel conosco, e as indesejáveis companheiras de viagem que vem junto com essa atitude: a lamúria e a autovitimização. Por sua vez, evitar este tipo de arapuca emocional nos permite aproveitar melhor e mais calmamente o tempo de vida que nos é dado.






13. Aśakti, ausência de apego à ideia de posse.


Śakti significa poder, energia, mas igualmente quer dizer “segurar firmemente”. Aśakti é o contrário de segurar: é abrir mão, relaxar. Se o décimo valor, indriyarteśu vairāgyam, estava centrado no desapego aos objetos dos sentidos, este presente valor, aśakti, tem como objetivo cultivar uma “suavização” do senso de posse ou propriedade que possamos ter em relação a algum desses objetos sensoriais. E, quando dizemos objetos sensoriais nos referimos não apenas a coisas materiais, mas igualmente a pessoas e relacionamentos. Aśakti, então, é nos tornar cientes de que não somos donos de nada nem de ninguém. A própria ideia da possessão não resiste a uma análise objetiva: é bom lembrar que a terra e tudo o que ela sustenta já estava aí antes do nosso nascimento e que, como diz o ditado espanhol, “a mortalha não tem bolsos”. Ou seja, nada levaremos daqui na hora da morte. Portanto, aśakti.






14. Anabiśvaṅgaḥ putra-dara-gṛha-adiśu, equanimidade afetiva.


Abiśvasaṅgaḥ aponta para uma relação de intensa emotividade e apego, como o que podemos nutrir pelos nossos filhos, nosso cônjuge, nossa casa ou as coisas e pessoas muito queridas (respectivamente, em sânscrito: putra,dara, gṛha e adi). Resumindo, um afeição viscosa e excessiva. A forma negativa dessa expressão é anabiśvasaṅgaḥ. Isto, evidentemente, não significa que não devemos cuidar daqueles que amamos, mas evitar projetar nessas pessoas (ou no lar), nossas carências e inseguranças. Anabiśvasaṅgaḥassim, aponta para uma atitude de extremo cuidado e compaixão em relação às pessoas e coisas, mas que é ao mesmo tempo desapegada e objetiva.






15. Nityam samachittatvam iśtaniṣṭopapattiṣu, equanimidade constante.


Samachittatvam quer dizer receber com a mesma equanimidade tanto o quanto o que não se aprecia. Sama significa equilíbrio, chittatvam designa os estados de espírito. Iśtaniṣṭopapattiṣu é um termo que se usa para designar o conjunto das coisas desejáveis e indesejáveis. Nityam quer dizer sempre. O estado constante de estabilidade mental e emocional é o segredo do Karma Yoga. Noutra passagem da Bhagavadgītā, Kṛṣṇa vai definir o estado de Yoga como chittatvam, equanimidade. Aqui, Nityam samachittatvam iśtaniṣṭopapattiṣu é apresentado como um valor que nos ajuda a compreender e manter nesse estado de equilíbrio, quaisquer que sejam as circunstâncias exteriores.






16. Mayi cha ananya-yogena bhaktih avyabicharini, devoção inabalável.


Mayi cha ananya-yogena bhaktih avyabicharini. Temos aqui uma frase longa para uma ideia simples e breve: ela aponta para a confiança e a devoção inquebrantáveis. Essa confiança e devoção são dirigidas a Īśvara, que é o Ser manifestado ao mesmo tempo com criador e criação, como todas as formas e nomes existentes. Essa não-separação, ananya-yoga, pode ser interpretada de duas maneiras: primeiramente, compreendo que o Todo, Īśvara, não está separado de mim, indivíduo, e que eu nunca estive nem estou longe de Īśvara. Em segundo lugar, podemos olhar para Īśvara como um refúgio: Īśvara é a minha segurança, minha inspiração, meu abrigo. Dessa confiança nasce a mente preparada para perceber a não-dualidade.






17. Vivikta-deśa sevitvam, apreço por um lugar tranquilo.


Vivikta designa um lugar solitário. Desde sempre, os yogis buscaram lugares tranquilos para viver. Até mesmo quando moramos em grandes cidades, sentimos a necessidade de sair oportunamente para passar um período em algum lugar isolado. Quando fazemos isso, voltamos depois para o meio urbano totalmente renovados. O valor pelo lugar tranquilo não é um fim em si mesmo, já que podemos perfeitamente ter um ataque de nervos numa ilha paradisíaca ou no lugar mais lindo do planeta. O apreço pelo lugar solitário vale pelo tipo de moldura mental que ele produz: o pensamento tende a ficar mais harmonioso, as emoções mais calmas e a mente mais predisposta para refletir e compreender a verdade sobre si mesmo.






18. Aratiḥ janasamsadi, apreço pela solitude.


Solitude não é solidão. Solidão é uma palavra que muitas vezes aparece associada ao sofrimento que surge quando alguém busca ardentemente uma companhia, sem encontrá-la. Portanto, a um isolamento imposto pelas circunstâncias ou à incapacidade de estar bem consigo próprio. A solitude, por outro lado, é um estado de recolhimento voluntário, no qual a pessoa percebe ser boa companhia para si mesma, pois está em paz. Assim, embora não fuja da companhia de outrem, o yogi tampouco busca compulsivamente se relacionar, pois não precisa preencher carências e nenhum tipo. Aratiḥ janasamsadi, literalmente, significa “ausência de grande desejo por companhia”. Por outro lado, essa disposição para a solitude não aponta para algum tipo de desprezo ou ódio pela companhia dos demais. O yogi convive pacificamente com seus pares, mas não busca nesse convívio a razão da sua existência, e muito menos, a própria felicidade.






19. Tattva-jñāna-artha-darśanam, foco e clareza na verdade.


Talvez este e o próximo sejam os dois valores mais importantes do código que Kṛṣṇa ensina para Arjuna. Tattva quer dizer verdade, e designa a Realidade que dá origem às coisas: Brahman, o Ser. Jñāna, é conhecimento.Artha é um propósito ou meta. Darśanam, a visão. Este composto, portanto, pode ser definido como o propósito de manter o foco sobre o conhecimento da verdade. Tattva-jñāna, o conhecimento dessa Realidade, implica reconhecer que não somos diferentes nem estamos separados dela. Esse reconhecimento é mokṣa, a libertação. Noutras palavras, tattva-jñāna-artha-darśanam é não perder de vista o autoconhecimento como meta prioritária, de maneira que os outros objetivos menores que possamos ter ao longo da caminhada não nos desviem da prioridade essencial.






20. Adhyātma-jñāna nityatvaṁ, disposição contínua para o autoconhecimento.


Infelizmente, a iluminação não chega sozinha se decidirmos sentar embaixo de uma árvore para esperar que ela aconteça. Se assim fosse, seria simples e fácil. Meditar pode ajudar a pessoa a refletir sobre as misérias do mundo ou sobre seus próprios problemas, no melhor dos casos. Acontece que a iluminação não surge do nada. Para termos iluminação, é necessário um meio de conhecimento adequado. Esse meio de conhecimento é chamado Brahmavidyā, ou autoconhecimento. Adhyātma-jñāna nityatvaṁ é o valor que nos ajuda a lidar adequadamente com esse meio de conhecimento peculiar que é Brahmavidyā. Adhyātma indica aquilo que é centrado em Ātma, no Ser. Jñāna é conhecimento. Nityatvaṁ indica um estado de espírito constante, que não oscila. Assim, adhyātma-jñāna nityatvaṁsignifica nos manter constantemente atentos e conscientes ao Ser que somos.




Os valores como preparação para a iluminação.




O meio de conhecimento mencionado acima inclui um processo de três etapas: śravaṇam-mananam-nididhyāsanam. Śravaṇam e ouvir o ensinamento fundamental: você já é a plenitude que está buscando.Mananam é questionar, dirimir as dúvidas que naturalmente surgem da dissonância entre esta notícia e a imagem distorcida que geralmente temos de nós mesmos. Nididhyāsanam quer dizer refletir sobre aquilo que se aprendeu nas etapas anteriores e é util para nos ajudar a ficar firmemente estabelecidos no autoconhecimento.




Os valores do Yoga não trazem, por si sós, o autoconhecimento, mas nos ajudam a cultivar uma emocionalidade e uma mente receptivas e adequadas para compreender e fruir adequadamente desse processo. Porém, cabe também lembrar que os valores não podem ser impostos desde fora. Eles precisam ser bem compreendidos, para ser integrados e internalizados de maneira natural. Do contrário, eles poderão produzir conflito e tensão interna.


O valor dos valores.


Uma vez reconhecido “o valor dos valores”, como diz Swāmi Dayānanda, eles se tornam espontâneos e passam a fazer parte da pessoa. Através dessa preparação, poderemos então compreender a Realidade Única, a natureza do Ser que somos, ilimitada, plena e pacífica.


Swāmi Dayānanda explica a importância destes valores da seguinte maneira: “A expressão da minha vida é apenas a expressão de uma estrutura de valores que foi bem assimilada por mim. Isso é apenas uma expressão daquilo que é valioso para mim. Para que eu possa desfrutar dos confortos, devo estar presente. Quando estou dividido pela culpa, raramente estou em outro lugar que não seja a minha ansiedade, meus remorsos e preocupações.


“Quando vejo claramente este fato, poderei enxergar o valor da aplicar padrões éticos universais a mim mesmo. Portanto, um valor, seja universal ou situacional, é um valor para mim, apenas quando vejo o valor desse valor como algo valioso para mim”. Boas práticas! Namaste!






14 de jan. de 2012

Saúde na 3ª Idade - Prof. Hermógenes




De que forma o livro Saúde na Terceira Idade pode ajudar o idoso?
O idoso passa por profundas transformações em sua vida e não deve cair no caso comum de sentir-se marginalizado e comprometido com a morte e a decadência. O livro surge para mudar a visão da terceira idade. Cada um precisa cair em si e dizer: “Estou tendo a chance de realizar o melhor da minha vida e fazer coisas que não podia. É a oportunidade de trabalhar para ajudar alguém, uma instituição, em substituição ao trabalho profissional que vinha exercendo. Agora posso usar o lazer da melhor maneira.” O livro tem essa proposta, mas vai ajudar também com a metodologia holística do Yoga. Ela envolve o corpo físico e a estrutura energética, que atua no campo das emoções, dos pensamentos e, acima de tudo, proporciona um meio de chegar o mais perto possível da perfeição divina.
 

Em que princípios se baseiam as técnicas ensinadas no livro?

Neste livro trago novidades porque não falo apenas no Hatha Yoga. Para a terceira idade, não posso usar determinadas técnicas que exigiriam manobras de corpo que o idoso não consegue fazer. Ofereço outras metodologias, como a caminhada, mas não esta que costumamos ver, com as pessoas conversando, escutando walkman e até fumando. Proponho uma caminhada completa, com a pessoa interiorizada, apreciando a paisagem e até orando. Também proponho a automassagem, com o objetivo de melhorar as circulações sangüínea, linfática, energética e nervosa. Outro método que sugiro é para restaurar a mobilidade das articulações de todo o corpo e desbloquear a circulação. Ainda acrescento técnicas de meditação e oração que afirmam o poder que está em nós e é divino. Desenvolvo outros temas que não são propriamente metodologias, mas sugestões para práticas da vida. Uma das coisas mais interessantes, e que tenho usado muito entre meus alunos, é o que chamo de positividade, ou seja, acabar com aquela história de dizer coisas destrutivas em relação a si e aos outros. Para ilustrar, conto a história do homem que caiu do quarto andar, e quando chegam perto dele perguntando o que aconteceu, diz: “Eu também não sei, pois acabei de chegar”. Também falo de hábitos alimentares. Introduzo ainda o conceito de remusculação. Enfim, é um conjunto de propostas que se complementam. É um trabalho holístico.


Como o senhor comprovou a eficácia destas técnicas?
Tudo que está no livro foi experimentado por mim e por meus alunos em 35 anos de experiência (desde 1960). Nunca mudei nada. Agora resolvi fazer uma adaptação para os idosos porque suponho que alguns possam ter limitações. Quero que até o idoso de cama tenha o que fazer. Abordo até o problema da aposentadoria. Estou pedindo a Deus que o livro produza uma transformação que é difícil para quem cristalizou hábitos errados.


O senhor encontra alguma resistência à aplicação de seus métodos?
Sim. Não é uma resistência programada, mas afirmada através de muitos anos. Pior do que o Yoga não ser compreendido é ser compreendido erradamente. As mulheres aderem com facilidade. Por conta de fatores culturais, vivemos um machismo pouco inteligente. Quando os homens experimentam os resultados do Hatha Yoga, acham que o conheceram tarde. Em São Paulo, estive conversando com um piloto de avião. Ele estava num estado de estresse violento. Eu disse: “Vai fazer Yoga.” Depois o encontrei muito bem. Disse que o Yoga tinha sido uma maravilha para ele. Perguntei quando tinha começado, e ele respondeu: “Foi a minha mulher que começou.” A partir dela, melhorou a vida dele.


Seu trabalho fala muito no combate ao estresse. É ele o grande vilão do homem?
Minha visão é de que o estresse é a raiz comum de muitos males, a fonte de várias doenças que matam milhões, como as do coração, sono, hipertensão, impotência e úlcera. Na minha opinião, o estresse não é o vilão, mas um mecanismo que a vida desenvolve para se defender. Quando um animal se vê diante do predador, ele entra em estresse. Toda a confusão anatômica, fisiológica, psicológica e energética é para assegurar a integridade pessoal, e precisa ser compreendida e administrada. Se eu não administrar o estresse, ele se transforma em distresse, que é enfermidade. O Yoga nos ajuda a lidar com o estresse para chegar ao eustresse, uma condição de tranqüilidade, paz, eficiência e felicidade. Quer dizer, o estresse utilizado para chegar a uma qualidade de vida melhor.


Os problemas da terceira idade possuem maior relação com a dimensão espiritual ou a social?
Se a pessoa aceitar meu convite no livro, vai aumentar sua capacidade de relacionamento consigo e com os outros. O livro propõe que a pessoa chegue à terceira idade enfrentando os problemas à sua volta sem se deixar abater.


O senhor acha que os idosos brasileiros possuem alguma tendência cultural de assumir uma condição de improdutividade?
Já está em nosso inconsciente coletivo. Há quem ache que a terceira idade é o momento de parar, ver os netos crescerem, viver isolado, cheio de doenças. Esse livro vem contestar isso. Ser ou não ser jovem é uma questão de postura. Não sei como é em outros países, mas acredito que seja universal.


A partir de que idade uma pessoa pode aplicar estes princípios em sua vida?
No Japão existe uma especialidade médica que é a geriatria pediátrica. É a partir da infância que a pessoa deve ser preparada para a velhice, aprender a escolher os alimentos, os pensamentos, as emoções, os exercícios, enfim, disciplinar a vida e orientá-la para alguma coisa gloriosa.


O senhor costuma dizer que o maior perigo para o ser humano é ser contagiado pela doença da normose. O que é isto?
É a doença de ser normal. Aí você pergunta: “Mas o normal é doente?” Sim, é. O que não é doente é o natural. Normal é o comportamento que todos têm, a mesmice generalizada. Estive lendo que, depois da Segunda Guerra Mundial, o consumo de refrigerantes aumentou 85 por cento. Os normóticos são os que estão consumindo refrigerante. Quem não possui a doença prefere água ou sucos. Muitas coisas que destroem o homem estão na moda, dentro das normas. São normais, mas não são naturais. Normose é esta vida pequena, mesquinha, daqueles que são manobrados pela máquina de convencer. Os normóticos em geral são acometidos de outra doença, a egosclerose. Por que há tanta miséria no mundo? É porque a egosclerose dominou as pessoas de poder. Elas pensam: “Primeiro, eu. Depois, eu. Em terceiro lugar, talvez, minha mulher e meus filhos. Os outros que se danem.” É isto que está acontecendo na política, nas finanças, na educação, na medicina, nas ciências em geral. As pessoas lutam pelo poder e, ao chegar lá em cima, continuam com isso estupidamente.


O senhor pode apontar pessoas que não tenham se tornado normóticas?
Mahatma Ghandi, Chico Xavier e irmã Dulce são exemplos de pessoas não-normóticas.


Durante suas viagens, cursos e palestras, o senhor vê o interesse por terapias alternativas e naturalistas aumentando?
Sim. Tenho recebido muito apoio e aceitação. Mas há exceções, como certos especialistas, cientistas e religiosos obliterados e dogmáticos que sentem alguma ameaça. Mesmo assim, são raros. O que apresento é convincente não somente pelo poder da experiência, mas também pela clareza da lógica. Minha alegria é ver transformadas as pessoas que aceitaram meus ensinamentos, saindo de problemas difíceis. Sem dúvida, eu seria mais aceito se fizesse alguma coisa normótica para os normóticos. Se eu oferecer carniça em festival de urubu, vou ganhar muito mais dinheiro, mas se oferecer flores, serei bicado.


Como o senhor conheceu o Hatha Yoga?
Eu tinha tuberculose. Meus pulmões pareciam casas de abelhas. Me atacou a laringe a ponto de me deixar afônico. Como o tratamento era à base de muita alimentação e muito repouso, quando terminou eu estava envelhecido e obeso, apesar de ainda estar na faixa dos 35 anos (por volta de 1956). O pior era o bloqueio psicológico e social que o médico me impôs. “Você não pode ficar no Sol, pegar sereno, ir à praia, fazer ginástica” e por aí afora. Até propôs que eu me aposentasse porque minha vida estava comprometida. Foi aí que ganhei um livro de Yoga de um autor indiano, Selvajaran Yesudian, escrito em francês. Como era muito claro na didática, comecei a fazer sozinho, como experiência. Pensei: “Ou fico bom ou morro logo”. A transformação em poucos meses foi tão espetacular que surgiu um novo ser daquela ruína. Senti o compromisso de dedicar o resto da minha vida a mostrar o mapa da mina aos outros.

Então o senhor é autodidata?
Sim. O mestre que eu tinha era invisível, chamava-se Deus. Não havia nada em português sobre o Hatha Yoga. O primeiro livro em nossa língua sobre o tema foi escrito por mim e publicado em 1960 a partir de minha experiência pessoal e de meus estudos sobre medicina oriental, anatomia, psicologia e tudo mais que me desse base para compreender o que se passara comigo. Chama-se Autoperfeição com Hatha Yoga, que chegou em 1996 à 35ª edição. O principal é a quantidade de cartas com depoimentos de pessoas, até da África portuguesa, dizendo como o livro mudou a vida delas.


Além dos livros, suas técnicas são ensinadas e divulgadas através da Academia Hermógenes. Como ela surgiu?

Ao escrever esse meu primeiro livro, ele se tornou um best seller. Fui procurado pelas pessoas para ensinar-lhes as técnicas. Para mim, o Yoga era tão puro que eu não queria misturá-lo com uma empresa. Um amigo de infância montou a coisa na rua Uruguaiana e me ofereceu em 1962. Vamos completar o 35º ano de funcionamento em 1997. Milhares de pessoas já passaram por lá.


Fonte: http://www.yoga.pro.br

13 de jan. de 2012

Posturas de Yoga e seus Benefícios



Sopro Ha: Funciona, simultaneamente como: um exercício respiratório, uma captação energética, uma desintoxicação (ou catarse); uma movimentação física.

Prece: AUM é a palavra sagrada, o som primordial através do qual o Universo fenomênico se manifesta, se mantém e se transforma. Este Mantra é composto das letras A-U-M, pronunciando-se OM.

Pouso sobre a cabeça: De todas as posturas, esta é a mais poderosamente rejuvenescedora e a que mais prontamente alivia a sensação de fadiga. Considerada pelos yoguis como a rainha das posturas.

Alongamento: Aumenta a sensação de bem-estar, tranqüilidade e mesmo prazer, melhora o estado das pessoas de frágeis nervos. Fortalece a musculatura dos membros inferiores. Estimula os nervos cutâneos e os vasos capilares das pernas. É considerado um dos mais deliciosos modos de vencer a fadiga.

Torção: Corrige desvios da coluna vertebral. Atua sobre as supra-renais. Combate dispepsia e prisão de ventre. Regulariza as funções do fígado, pâncreas e rins. Aumenta o sentido de equilíbrio, de autodomínio e segurança. Desenvolve o poder da vontade e a alegria interior.

Arco: Excelente contra a obesidade. Estimula toda a atividade endócrina, com surpreendentes proveitos para a saúde psicossomática em geral. Elimina as dores nas costas derivadas do sedentarismo. Enriquece a personalidade, dando vivacidade à mente. É psicoestimulante.

Pinça: Aumenta a autoconfiança, a sensação de autodomínio e de leveza, combatendo a depressão e o pessimismo. Bom para o rejuvenescimento e o emagrecimento, é igualmente eficaz no combate a insônia, diabetes, males digestivos, do estômago e dores lombares. Faz despertar a Kundalini e abrir o nadi central.

Cobra: Aumenta a flexibilidade. Enquanto comprime os músculos lombares, distende com energia os abdominais. Estimula os órgãos da pélvis, desenvolve o sentido de equilíbrio e autoconfiança.

Peixe: É especialmente benéfica para a tireóide devido à abundante irrigação sanguínea na área. Propicia otimismo, autoconfiança, paz, clareza na inteligência e desenvolve a sensação de energia e resistência à fadiga. Ao executá-la é intensa a alegria e a segurança psicológica que se experimenta.

Vela: É uma das principais posturas de inversão da Hatha Yoga, cujos efeitos terapêuticos incluem o rejuvenescimento, faz com que a gravidade trabalhe em favor do praticante, preservando-lhe a juventude e a vivacidade. E, mais, aumenta a potência sexual, ao mesmo tempo em que age no sentido de transformar a energia erótica em criatividade, sensibilidade e espiritualidade.

Arado: É uma completa massagem natural em todas as vértebras, acentuando flexibilidade e elasticidade à coluna vertebral inteira. Fortalece os músculos das costas e do abdômen beneficia os músculos do coração. Autodomínio, superação de sentimento de inferioridade, agilidade mental e alívio de estados angustiosos.

Relaxamento: Propicia recuperação rápida e completa da fadiga de qualquer espécie; cura transtornos fisiológicos produzidos pelo trabalho excessivo e pela tensão, harmoniza os processos mentais, reduzindo a atividade febricitante dos vrittis (ondas mentais); limpa os entraves de natureza tencional; faz a irrigação sanguínea completamente livre e deliciosamente regeneradora em todo o corpo; vivifica-o em todos os seus recônditos, aumenta a energia prânica e mental; diminui a sensibilidade à dor; embeleza o rosto com as cores da saúde e com a expressão serena.

Retirado do Livro Autoperfeição com Hatha Yoga do Professor Hermógenes.

3 de jan. de 2012

Prathanasana (Corpo e emoções em equilibrio)




Do ponto de vista físico, é uma técnica imóvel, muito simples, mas que nos faz experienciar que a estabilidade e o controle do corpo físico e de nossas emoções e pensamentos são interativos. Em Prathanasana, equilibramo-nos em pé, imóveis, com todos os músculos relaxados, conseguimos o sempre desejado, mas difícil, controle emocional. Corpo e emoções, em equilíbrio e harmonizados, produzem serenidade e quietude nos pensamentos, numa vivência psicossomática agradabilíssima e encorajadora.

Desfrutando tranquilidade e alegria interior, passe a contemplar sua tênue respiração. Apenas observe. Não interfira, contemple a entrada e a saída de ar pelas narinas (entrando, saindo, entrando, saindo...). Procure manter a mente ali, sem deixá-la vagar... Mas para isso, de forma alguma, se zangue com ela, tentando forçá-la.

O simples e passivo embevecimento com o suave e livre fluir e refluir do hálito da vida, por certo o ajudará a descartar ansiedades, turbulências, estresses, inquietudes, aflições, conflitos interiores... É um maná psicossomático. Mas ainda poderá ser melhor e mais eficaz, acrescentando a técnica do mantra OM. (Professor Hermógenes)

Do livro: Saúde na Terceira Idade

Fonte:
http://professorhermogenes.blogspot.com/2010/01/prathanasana-postura-da-prece.html

5 de dez. de 2011

ÁSANA, RÓTULOS, CONSUMO E ERROS






Entrevista com Pedro Kupfer - 23 de Novembro de 2011


1) Como você chegou ao Yoga?
Quando adolescente, um amigo me apresentou um livro do filósofo Alan Watts que mencionava o Yoga e a meditação sobre o mantra Om. Por algum motivo, esse breve texto me marcou: chamou muito a atenção e resolvi que iria me dedicar a praticar aquilo. Pareceu-me algo nobre, um motivo justo e adequado ao qual dedicar a vida. E lá se vão trinta anos.


2) Como você vive o Yoga atualmente?
Creio que de uma maneira bastante mais madura, tranquila e consciente que no início. Com o tempo, as ilusões e fantasias que a gente se fazia no começo deram lugar a uma visão mais realista e centrada do que é o Yoga, bem como na manera em que ele funciona.

3) Sempre teve esta relação com o Yoga o ela foi mudando ao longo do tempo?
Sinto que passei por várias fases diferentes. No início não compreendia o que tinha em mãos, mas me sentia muito atraído por tudo o que tivesse cheiro de Yoga. Praticava meio que cegamente mas, felizmente, muito bem guiado pelo meu excelente professor Janardhana, do Satyananda Niketan, de Montevidéu.
Depois, veio o entusiasmo com a kundalini, a busca pelas experiências transcendentais. Talvez esta fase tenha sido a mais conturbada, pois pensava que moksha, o objetivo do Yoga, era uma experiência e não uma maneira de ver as coisas. Se a pessoa pratica baseando-se em crenças deste tipo, não vá muito longe e, cedo ou tarde, se frustra, abandona o Yoga e vai buscar outra coisa.
Depois, quando conheci meu guru, Swami Dayananda Saraswati, tive o privilégio de adquirir uma visão mais racional e centrada, mais objetiva, a partir da qual, como reza o ditado, parei de “pedir peras ao ulmeiro”. Essa última fase começou há um pouco mais de uma década e, apartir desse momento, sinto que a prática está avançando a passos largos, pois está alicerçada no estudo e no proceso de autoconhecimento, sem os quais o Yoga não pode funcionar.

4) Cada vez mais gente pratica Yoga, faz formações, etc. Mas isso nem sempre se traduz em condutas compassivas ou em respostas amorosas. Será que o Yoga está se tornando mais um objeto de consumo, entre tantos outros?
Talvez sim. Depende de como enxergarmos a situação. Sempre houve e siempre haverá pessoas que se dediquem ao Yoga como forma de encontrar um significado mais profundo e uma direção mais clara na vida. Quando o Yoga se torna uma moda, surge, paralelamente a esse tipo de buscador espiritual genuíno, outro tipo de praticante que busca o Yoga por outras razões: adquirir boa-forma, administrar o estresse, dormir melhor, produzir mais.
Este segundo tipo de praticante merece todo o respeto e a consideração da parte dos mumukshus, dos buscadores da liberdade porque, como já ensinava o grande mestre Sivananda, não importa qual é o motivo que leva a pessoa a praticar. O que importa, sim, é que, através da prática, ainda quando centrada nos efeitos secundários, é sempre uma porta de entrada para o processo de conhecer a si mesmo e, consequentemente, para a liberdade.

5) Para que praticamos Yoga?
Para retirar o véu que ofusca a nossa visão. Para sermos livres. Para descobrir que a felicidade que estamos buscando é algo que já somos.

6) Qual é o sentido de se contorcer, de ficar de cabeça para baixo ou sobre as mãos?
Esses exercícios, chamados ásanas e mudras, se fazem como meio de reflexão sobre o que somos. O processo do Yoga tem três etapas, chamadas shravanam, mananam e nididhyásana, respectivamente. Shravanam, a primeira, consiste em escutar o ensinamento (“já somos a felicidade que estamos buscando” é um bom resumo).
Logo vem a etapa do questionamiento, das dúvidas e perguntas, que se chama mananam, ou “usar a mente”. Para isso, precisamos estar em presença de um professor que possa responder nossas dúvidas.
Uma vez esclarecidas, passamos ao nididhyásana, o momento da reflexão sobre o que somos, ou sobre o que sabemos sobre o que somos. Para isso, com essa finalidade, existem e se praticam (ou deveriam se praticar) todas as técnicas do Yoga, das posturas à meditação, dos respiratórios aos mantras.

7) Qual é a diferença entre praticar Yoga e viver Yoga?
Isso é muito subjetivo e vai depender de quem responda a pregunta. Se formos ver o Yoga como uma maneira de reflexão que se estende desde os exercícios fisiológicos, energéticos ou meditativos a todos os aspectos do cotidiano, podemos dizer que não existe diferença entre praticar Yoga e viver Yoga. É a mesma coisa.

8) A maior parte das pessoas somente trabalha o Hatha Yoga, ou seja o Yoga postural. Ele é só a ponta do iceberg? Há algo a mais?
Esta é uma pergunta interessante, que mostra de quê maneira a opinão pública está confundida em relação ao Yoga, bem como à maneira em que funciona. Hoje em dia, as pessoas imaginam que Yoga seja ficar de cabeça para baixo ou noutras posições excéntricas. Na pergunta, se equipara o Hatha Yoga com “Yoga Postural” mas, na verdade, o Hatha é muito mais que apenas praticar ásanas.
A única diferença que existe entre o Hatha Yoga e o que já existia antes de seu nascimiento (o que aconteceu uns mil e poucos anos atrás) é que o Hatha usa o corpo como instrumento de reflexão e meditação, de uma maneira que não havia sido explorada anteriormente.
Afora esse detalhe, o resto da tradição é monolítica e uniforme. O que se ensinava antes do Hatha em termos de visão de si mesmo não mudou depois que as práticas físicas, energéticas ou sutis foram integradas à cultura e ao modo de viver que acompanha o Yoga desde sempre.
Quando penso que Yoga é Hatha, e que Hatha é postura, chego à conclusão que Yoga é repetir posturas. Isto é tão equivocado como pensar que, se existe um exercício no Yoga que consiste em contrair os esfíncteres, qualquer pessoa que contraia os esfíncteres estará praticando Yoga. Para poder chamar Yoga ao Yoga, precisamos comprender que ele é uma visão libertadora do ser humano, que inclui maneiras diferentes de colocar essa visão na prática e, principalmente, no cotidiando da pessoa.

9) Se o Hatha tem como objetivo final preparar o corpo para a postura de meditação, por que não irmos diretamente a esse final?
O resultado não é o mesmo. Nesse proceso, em que o corpo tem um grande protagonismo, não se incluem apenas ações e resultados físicos. Há um efeito muito grande destas práticas sobre o corpo sutil, sobre os caminhos da energia vital, bem como nos padrões mentais e crenças que surgen deles.
Assim, as práticas do Hatha Yoga não se limitam a condicionar o físico para que possamos nos sentar com mais conforto para meditar ou para que possamos dormir melhor ou render mais no trabalho. O verdadero objetivo está em dissolver as couraças de tensão sutil, que determinam tanto as limitações do movimento do físico como os padrões mentais automâticos que regulam uma boa parte das nossas vidas.
Nesse sentido, o Yoga trabalha de maneira similar à medicina chinesa, no sentido de “limpar” o corpo de energia de bloqueios, ausências o excessos de força vital que podem, por sua vez, provocar desequilíbrios na saúde e limitações em relação àquilo que acreditamos ser possível fazer na vida.
Noutras palavras, a prática de Hatha Yoga, desde que feita com a atitude correta, pode nos ajudar a mudar a perspectiva que temos de nós mesmos, de nosso papel na ordem das coisas e da maneira que enxergamos a nossa própria vida.

10) O Yoga como caminho propõe muitas mudanças nas vidas nas pessoas que o trilham, nos hábitos, na alimentação, etc. Que sentido tem tornarmo-nos outra pessoa para voltar a ser o que sempre fomos?
Creio que a gente não se torna “outra pessoa”. A pessoa continua sendo a mesma, mas vai fazendo naturalmente alguns ajustes, melhorando ou corrigindo o que for preciso em relação aos próprios hábitos. O caráter, a personalidade e o temperamento não são rígidos e mudam sutilmente, o tempo todo. William James, um filósofo inglés, disse uma vez que a pessoa tem tantas personalidades em si mesma, quantas pessoas ela conhece.
Noutras palavras, os hábitos, crenças, cultura e modo de viver, embora importantes, são sempre relativos, nunca essenciais. A gente não é o que pensa. A gente não é o que faz. A gente não é um conjunto de hábitos. A gente não é um nome ou uma dieta. Se eu permanecer aberto ao novo, questionando o que se me apresenta como correto ou como incorreto, posso escolher com liberdade, posso assumir a responsabilidade por meus atos de manera íntegra e independente.
Agindo desta maneira, sem colocar as decisões que tomo ou a responsabilidade pelos frutos das ações que realizo nas mãos de algum costume ou alguma forma de comportamento padronizada, sou um humano livre. Resumindo, o praticante precisa reconhecer que muito do que pensa ser seu, são apenas crenças da cultura ou a sociedade donde ele nasceu. Se esas crenças forem nocivas, o yogi dá a si mesmo o direito de trocá-las por outras, construtivas ou neutras.

11) Qual é o selo que identifica o Yoga que você pratica?
Atualmente, há uma excessiva preocupação com os rótulos. Precisamos nos “posicionar” para melhor identificar o que hacemos, dada a variedade de sistemas que surgiram nas últimas décadas. Bom, da minha parte, posso dizer que não concordo com o uso que se faz desses rótulos e assim, optei por não usar rótulo algum.
Quando soube que existian vários métodos de Yoga (Tantra, Mantra, Kundalini, etc.), lembro de ter perguntado ao meu professor Janardhana: “qual é o Yoga que nós praticamos?” Ele me respondeu: “Yoga”. Essa resposta é muito boa e clara, e continuo usando-a hoje em dia quando me fazem essa pergunta.
Não existen métodos diferentes, mas etapas distintas dentro de um único caminho, que é o processo de crescimento interior de cada um. Assim, Karma Yoga, Bhakti Yoga, Jñana Yoga, Hatha Yoga, são apenas momentos ou fases dentro desse processo maior que podemos chamar vida de Yoga.
Quando a gente fica em contato com a tradição, aprendendo dentro dela, tem que ter especial cuidado para não modificar nada, não inventar nada, não rotular nada, pois tudo já está pronto, todo está já perfeitamente bem elaborado, tanto para praticar como para ensinar e transmitir. Esse é o motivo pelo qual muita gente que começou a praticar e estudar Yoga antes da presente moda que estamos vivendo, se nega a usar rótulos que identifiquen uma forma de Yoga específica. Somente existe um Yoga.

12) É o mesmo que você ensina?
Sim, claro. A gente não deve ensinar o que não pratica, nem deixar de praticar o que ensina. Namaste! 

10 de nov. de 2011

Prof. Hermógenes - O que é Yoga?




Yoga é exatamente a viagem dos que, intoxicados de divertimento, acordados pelas abençoadas pancadas das vicissitudes, saudosos da ¨casa do Pai¨, já decisivamente convertidos, se tornaram aspirantes ao Eterno.Yoga é o caminho e o caminhar que conduzem a Deus.Yoguin é aquele que, tendo despertado visto a impermanência e a falência dos valores mundanos, seja cristã, hinduísta, budista, judeu, maometano..., está a caminho, pagando o preço dos desafios, das fadigas, das quedas, de todos os sacrifícios, mas sempre avançando sempre querendo chegar.


O YOGA AUTÊNTICO

Caro amigo.

Aqui estou para tentar responder bem a suas perguntas sobre o que é mesmo Yoga.
Para evitar polêmicas, evito defender ortodoxamente um ponto de vista particularmente meu. Sem contestar nem protestar, vou simplesmente transcrever com fidelidade escrituras sagradas e grandes sábios, que há milênios ensinaram Yoga à humanidade.

Se fossem minhas as explicações, poderia incorrer em erros e me sujeitaria a contestações e suspeitas, e, assim, não o ajudaria..

Peço ao leitor que afie a espada de seu discernimento, para que possa chegar a conclusões corretas. Tomara que tais autoridades sejam por nós entendidas e atendidas. Que falem as escrituras sagradas e os velhos Rishis. Que nos elucidem, para evitar opiniões aventureiras e, portanto, equivocadas.

Krishna, o Verbo Divino, na "Bhagavad Gita", o mais portentoso, completo e sábio evangelho do Yoga, explicou ao Príncipe Arjuna:

Livre de orgulho e de ilusão, já tendo dominado o mal do apego, pensando constantemente no Ser Supremo, tendo minimizado todos seus desejos, tendo-se refugiado na solidão, liberto dos opostos da existência tais como prazer e dor aquele que já não está mais iludido, atinge a Meta Eterna.(15.1) Permaneça firme em Yoga, Oh Dhananjaya(Arjuna); pratique suas ações, isento de apegos e mantendo eqüanimidade tanto quando bem sucedido como no malogro. Esta eqüanimidade é chamada Yoga. (2.48).

Aquele que nem odeia nem deseja pode ser reconhecido como alguém que constantemente pratica a renúncia, porque, liberto dos pares de opostos, Oh poderoso Arjuna, pode ser facilmente libertado do cativeiro.(5.2)

Aquele que trabalha deve fazê-lo sem ansiar pelos frutos da ação. É chamado sannyasi e é um yogui e não o é aquele que nem age nem mantém o fogo sagrado.

Fique sabendo que o que as escrituras e os sábios chamam renúncia é o mesmo que Yoga, Oh Pandava; porque ninguém que não tenha renunciado a seus desejos, pode tornar-se um Yogui.

Para um sábio que aspira atingir Yoga, agir é o meio adequado, no entanto, quando tenha atingido Yoga, o meio mais adequado passa a ser a serenidade.

Quando um homem já não tenha apego aos objetos dos sentidos ou à atividade, e quando tenha totalmente renunciado a seus quereres, pode-se dizer ter alcançado Yoga

Que o homem se liberte de si próprio, que não se degrade, porque ele é seu próprio amigo e também seu próprio inimigo. Para quem venceu a si mesmo, por si mesmo, seu próprio ser é um amigo, mas, para aquele que não se venceu, seu próprio ser lhe é hostil.

Aquele que se tenha vencido e, em sua mente, vive sereno, está permanentemente absorvido no Ser Supremo, não se altera tanto no calor como no frio, tanto no prazer como na dor, seja na honra, seja no opróbrio.

Merece ser chamado yogui firme aquele cujo coração, através do conhecimento e do apercebimento, permanece satisfeito, que, tendo vencido a sensualidade, nunca vacila e considera de igual valor um torrão de barro, uma pedra e um pedaço de ouro.

O homem que respeita igualmente os que lhe querem bem, os amigos e também os inimigos; os que são de suas relações ou os indiferentes, os imparciais e os maliciosos, e mesmo os virtuosos e pecadores é um yogui supremo.

Um yogui deve sempre tentar concentrar sua mente, retirar-se para lugar solitário e viver só, tendo vencido sua mente e seu corpo e se libertado dos desejos e das posses(6.1- 10)

Krishna continua a descrever nos versículos seguintes o que é o Yoga e o yogui e a conduta ética e espiritual adequada a alcançar a difícil união libertadora com Deus, com o Ser. A descrição acaba por quase desanimar seu interlocutor, o já muito virtuoso príncipe Arjuna. Imagine como me sinto eu, um simples mortal?! Arjuna manifestou então seu espanto e suas dificuldades, que também são nossas em maior grau:

... a mente, Oh Krishna, é inquieta, turbulenta, poderosa e obstinada. Controlá-la é tão difícil, me parece, como controlar o vento.(2.34)

Krishna respondeu:

Sem dúvida, poderoso Arjuna, a mente é inquieta e difícil de controlar, mas pela prática e pelo desapego, pode vir a ser aquietada.

Eu penso ser difícil alcançar Yoga para o homem que não conseguiu se controlar, mas Yoga pode ser atingido pelo que tenha conseguido se controlar e se empenha por obter meios apropriados(6.35 e 36)

Ainda não satisfeito, Arjuna volta a argumentar:

Um homem dotado de fé, mas sem serenidade, e cuja mente tem vagado longe do Yoga, que fim alcança. Oh Krishna, não tendo conseguido conquistar a perfeição em Yoga? Tendo fracassado na fé e no esforço para atingir o Yoga, desamparado de apoio e perdido no caminho para Brahman(Deus), Oh poderoso Krishna, ele não parece uma nuvem que se desfaz? Dissipe completamente esta minha dúvida, pois ninguém que não você pode extinguí-la(6.38 e 39).

Krishna dá uma resposta ainda mais tranqüilizante:

Oh Partha(Arjuna), não há destruição para um homem assim, nem neste nem no mundo seguinte; nem mal algum, meu filho, atinge o homem que pratica o bem(6.40)
E mais adiante completa:

Um yogui, se engajando diligentemente, é purificado de todos os pecados e, se tornando perfeito, através de muitos nascimentos, atinge a Meta Suprema. O yogui é maior que os homens que praticam árduas mortificações; é maior que os homens que agem indiferente aos frutos da ação. Torne-se, portanto, um yogui. E de todos os yoguis, aquele que me adora com fé, seu ser mais interno, reside em Mim...

Krishna, o "divino cocheiro do carro de nossas vidas", indiscutivelmente é a autoridade maior para prescrever o Yoga mais puro e apropriado a cada um.

Fixe em Mim sua mente. Coloque em Mim seu intelecto. Então daí por diante, portanto, você viverá, sem dúvida, somente em Mim"(Gita,12.8)

Isto é ainda o que entendo com "Yoga para quem pode", portanto, para muito poucos. Não me atrevo a me ver entre eles. E você? Krishna que está por dentro de nossas limitações e de nossos pensamentos, com muito amor fala diretamente para Arjuna e indiretamente para nós:

Se você também é incapaz de fixar em Mim sua mente, então, pelo Yoga da constante prática, procure chegar a Mim...(Gita, 12.9)

E, obstinado e misericordioso, insiste em ajudar-nos:

Se você é incapaz mesmo de praticar Abhyasa Yoga(Yoga da constante prática), então pratique suas ações em Meu proveito. Mesmo pela prática de suas ações em Meu proveito, você atingirá a perfeição.(12.10)

De compaixão em compaixão, Krishna segue sugerindo caminhos mais viáveis, embora sempre austeros como devem ser:

Se ainda assim, você é incapaz de fazer mesmo isto, então busque refúgio em Mim. Autocontrolado, renuncie aos frutos de todas as ações. O conhecimento é deveras, melhor que a prática. A meditação é melhor que o conhecimento. A renúncia aos frutos da ação é melhor que a meditação. A paz sucede imediatamente à renúncia.(12.11e12)

Há outros métodos ainda menos árduos e menos elitistas para conquistarmos meta suprema de nossas vidas aconchegar-nos nos braços amorosos do Pai.O canto de músicas religiosas, o serviço devocional, a auto-entrega, a oração inteligente, a repetição permanente do Nome de Deus,...são alguns procedimentos que nos ajudam na viagem que há de minimizar a grande distância e a grande diferença entre nós e Deus, distância e distinção que a ignorância impõe.

Como uma moderna disciplina do Yoga(Sadhana), Sai Baba nos aponta a "Educação dos Valores Humanos"(Educare), isto é, a cultura e o cultivo de cinco potenciais divinos que moram dentro de você, de mim, de todos. Os cinco valores, que a educação pode desenvolver, são:

Verdade ou veracidade; Retidão; Paz; Amor; e Não-violência.

Esta é o Yoga mais adequada aos que vivem agora, nesta "era negra", na Kali Yuga, dominada pela hipocrisia, pela desonestidade, pela guerra, pelo desamor e pela violência que parece insanável.

Felizmente, para a saúde física e mental, para nutrir-nos de bio-energia, e de tudo mais necessário ao bom condicionamento de nosso holos, contamos com a prática sistemática da Hatha Yoga. A Hatha Yoga, que embora pareça ginástica, é infinitamente mais e melhor, funciona como um b-a-bá, um curso de alfabetização, capaz de amparar no nobre caminho da ação(Karma Yoga), no doce caminho da devoção-amor(Bhakti Yoga), no difícil caminho da sabedoria, da vitória sobre a ignorância(Jnana Yoga), no problemático controle da mente(Raja Yoga) e de todos outras nobres formas de caminhar de volta a Deus, de libertar-nos das peias e penas do mundo material. Infelizmente quase todos a vêm como mera ginástica.

Que esta carta possa ajudar a um estudioso igual a você e também a todos quanto, empolgados pela onda, pelo modismo, desejem conhecer e praticar o verdadeiro Yoga de validade eterna, de alcance infinito.

Que todos abram os olhos, isto é, usem de discernimento para não vir a colher frustração.
Que não pratiquem asanas equivocadamente como ginástica ou malhação a serviço da conquista de poder e de prazer materiais, transformando Yoga em Bhoga. Vitórias, aquisições, bens, prestígio e prazeres de Bhoga são inevitavelmente falsos e efêmeras, segundo as escrituras e os Mestres..

Minha homenagem a todos os sinceros professores, pesquisadores e praticantes, que se dedicam ao estudo profundo desta ciência divina. Que Ishvara, o Deus dos yoguis, abençoe seus nobres esforços e seus transcendentes ideais
Fonte: http://www.profhermogenes.com.br/darma.htm

7 de nov. de 2011

Mantras: Entrevista com Pedro Kupfer




Para que servem os mantras?
Entrevista com Pedro Kupfer

1) Para que servem os mantras?

A palavra mantra significa em sânscrito “instrumento para o pensamento [adequado]” (man = pensamento, mente; tra = instrumento). Basicamente, um mantra é um som que tem um significado e tem como objetivo lembrar algo importante para o praticante. Esse som pode consistir em um monossílabo, como o mantra Om, uma frase curta, como Om Gam Ganapataye namah (“eu saúdo Ganesha, o deus-elefante”), ou uma estrofe de 24 sílabas, como é o caso do Gayatri mantra. O mantra pessoal é prescrito tradicionalmente por um mestre, em função da necessidade do praticante.

2) Como podemos usar os mantras na prática? Por exemplo, quantas vezes devemos fazê-los?
Tradicionalmente, um número razoável de repetições é 108. Para um mantra polissilábico como o Gayatri, por exemplo, isso significa uns 20 minutos por prática. No entanto, há práticas como o purashcharana, em que se fazem 1000 repetições diárias até completar 2.400.000 ao cabo de sete anos. Isso totaliza 100.000 repetições por cada uma das 24 sílabas do mantra.
Outra maneira de usar os mantras é associar a sua repetição mental com a respiração, como no caso do ajapa japa, técnica que consiste em acompanhar a observação da respiração com a mentalização do mantra so’ham.

3) O que precisamos fazer para entoá-los?

O Kularnava Tantra nos ensina que há três formas de fazer um mantra: mentalmente, murmurando, e em voz alta. Dessas maneiras, considera-se que o mantra murmurado seja mais poderoso que aquele feito em voz alta, e que o mantra feito mentalmente seja mais eficiente que o murmurado. No entanto, a mesma escritura nos aconselha a mudarmos de técnica quando percebermos que estamos perdendo a concentração ou quando estamos nos distraíndo, passando da repetição mental para a verbalização em voz alta ou vice-versa. É possível também associar o mantra com um yantra, um símbolo. Por exemplo, ao gayatri mantra corresponde o yantra do mesmo nome, que pode ser visualizado mantendo-se os olhos fechados ou focalizado com eles abertos durante a meditação.

4) Quais são os efeitos dos mantras?Os mantras têm a capacidade de servir como foco para que a mente se concentre. Ela tem a sua própria agenda e dificilmente pode ser controlada. Se você percebe esta dificuldade na sua meditação, isso significa que sua mente é totalmente normal. Respire aliviado, pois isso acontece com todo o mundo. Seu trabalho durante o mantra, consiste justamente em trazer incessantemente a mente de volta para o som do mantra e refletir sobre seu significado. Isso traz como conseqüência o aquietamento da mente. Essa paz mental não é um fim em si mesmo, mas um meio para conseguir o discernimento, para preparar-se para a libertação, moksha. Muito embora os mantras possam ser usados para relaxar, combater a ansiedade ou o estresse, esse fim não deve ser esquecido.

5) Como funcionam?
Conhecer o significado do seu mantra, se você tem um, é fundamental. Tem pessoas que afirmam que os mantras não tem significado, ou que saber o que o mantra quer dizer não é importante, para afastar a desconfiança dos cristãos, ou para apresentar a prática da meditação sobre eles como algo “científico”. Se o mantra foi especialmente escolhido para você, como é que ele não tem significado? Como posso confiar na eficiência desse mantra ou nas boas intenções de tais professores?
O Rudrayamala, um texto antigo de Yoga, diz: “Os mantras feitos sem a correspondente ideação são apenas um par de letras mecanicamente pronunciadas. Não produzirão nenhum fruto, mesmo se repetidas um bilhão de vezes.” Mantras sem significado não funcionam. Todo mantra sânscrito significa alguma coisa ou aponta para algum aspecto da realidade, adequada como tema de reflexão para cada praticante.

6) Por que cantá-los em sânscrito?
Na tradição hindu, os mantras são considerados Shruti, revelação. Isso significa que esses sons não foram criados por um autor humano, mas percebidos em estado de meditação pelos sábios da antigüidade, chamados rishis. Esses sons descrevem as diferentes revelações que estes sábios tiveram, e servem como indicadores para orientar os humanos em direção ao autoconhecimento. Por exemplo, os mahavakyas, as grandes afirmações da tradição dizem: aham Brahma’smi, “eu sou a Consciência do universo”, tat tvam asi, “tu és Isso (o Ser)”, etc.
A língua sânscrita é considerada uma língua revelada, portanto sagrada, assim como o aramaico, o hebraico ou o latim o são para a religião judaico-cristã. Como língua, o sânscrito tem a virtude de conseguir comunicar nuanças de significados muito sutis, e sua vibração sonora produz efeitos não somente na mente mas também, por resonância, nos corpos energético e material.

*Texto publicado originalmente na revista Prana Yoga Journal.
Visite o website da revista clicando aqui: www.eyoga.com.br.
**Imagem:. Atma Tattva
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